Sindicato Independente dos Médicos

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OPERAÇÃO “COMPUTADOR DOURADO”?

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6 outubro 2005

Simédicos soube que o IGIF comunicou a todas as ARS e SRS, através do Ofício Circular n.º 10177 de 23 de Setembro, que deixará de proceder a qualquer nova instalação de software por si desenvolvido (exceptuando-se casos de excepcional relevância e devidamente sancionados pela Tutela). Ou seja, impõe na prática a suspensão da instalação do SAM/MCDT em todos os Centros de Saúde.
O argumento é o de, por um lado, ter sido lançado um concurso público para a “Definição do Programa de Transformação dos Sistemas de Informação da Saúde”, seleccionando um parceiro para apoiar o IGIF nesse processo, o que obriga a que exista estabilidade nos sistemas existentes para haver um referencial estabilizado; mas por outro lado, está a desenvolver um caderno de encargos para um concurso público com vista à “Integração, Modernização ou Substituição dos Sistemas Sinus e Sonho” e tal necessitar de uma situação estabilizada.
Quem já pode trabalhar diariamente com o módulo SAM/MCDT é unânime no reconhecimento de quanto tal simplifica a tarefa de médicos e administrativos, de quanto aumenta a eficácia e rentabilidade, de quanto racionaliza os custos de prescrição. Isto apesar das insuficiências a vários níveis da aplicação. Relembre-se que esta foi uma das medidas prioritárias recomendadas pelo Grupo Técnico para a Reforma dos CPS e será por certo uma das prioridades da Unidade de Missão para os CPS.
O SIM tem de questionar publicamente para que servirá o equipamento informático, já adquirido/encomendado para todos os CS do país e em cuja aquisição foram gastas largas centenas de milhares de euros, e que tem estado a servir de decoração. E igualmente como irão ficar as inúmeras instalações em curso e bem assim outras já programadas a muito curto prazo, com encomendas de servidores de Sinus e de SAM já feitas. Bem como para que servirá a última versão melhorada do SAM, com ligação a dados do Sinus, e ainda não distribuída. Ou ainda em que fase está o desenvolvimento dos Data Center, inicialmente adjudicados à IBM e depois “transferidos” para a Siemens…
A instituição, conhecida pela sua dificuldade e demora na produção de aplicações informáticas, numa argumentação hermética e confusa, arroga-se na prática o direito de dar ordens às Administrações Regionais de Saúde. Arroga-se o direito de frustrar as legítimas expectativas de muitos médicos, de tornar inútil o investimento financeiro e o esforço de tanta gente empenhada (mesmo do próprio IGIF). Mas também será um alívio para as estruturas sub regionais onde o processo tem estado em “banho-maria”…
Por muito que tal possa atingir pessoas e instituições, parece que será necessária (e urgente) uma Operação “Computador Dourado”