Os médicos fazem as horas extraordinárias que lhes mandam fazer e que são obrigados a fazer. A verba gasta em horas extraordinárias preocupa pelo seu enorme valor e pela incapacidade política de promover alterações estruturais que as racionalizem. O valor dispendido, sendo imenso, é justo e devido por se tratar de trabalho penoso efectivamente realizado.
Mais interessante é decompor a verba de 300 milhões de Euros no seu real significado. Representa, à média de 25 Euros de valor de hora extra, 12.000.000 de horas de trabalho. Representa o trabalho assistencial de 7.453 médicos, em horário de 35 horas, à razão de 1.610 horas ano por cabeça. Que não há nem existem nos quadros de pessoal hospitalar. Isto é, se não houvesse horas extraordinárias médicas, no valor de 300 milhões de Euros, eram necessários mais 7.453 médicos para assegurar o trabalho que os médicos dos quadros hospitalares efectivamente realizam, mesmo pressupondo a utilização exclusiva das referidas 35 horas só em Urgência. As horas extra são pagas 11 meses ao ano e não contam, em valor e em tempo, para a reforma. Os vencimentos de 7.453 médicos, ao valor médio mensal bruto de 2.283 Euros, representariam, para o Estado, em 14 meses, a quantia de 240.000.000 de Euros, pressupondo assiduidade absoluta, médicas sem engravidar e parir e sem contar com o necessário desconto patronal para a aposentação. Mais, pressupõem que se poupam reformas futuras de 7.453 médicos, que não existem, obrigando os que existem a fazer horas extra que não lhes acrescentam nada em relação à reforma. Em resumo
o Estado poupa dinheiro com este negócio
mas queixa-se do absurdo, tendo em mão a solução política do problema, apresentando hipócrita e publicamente aos médicos a factura do desmando.
Sindicato Independente dos Médicos
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300 MILHÕES DE EUROS EM HORAS EXTRA O QUE SIGNIFICAM?
24 setembro 2006
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