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Sindicato Independente dos Médicos

Listas de espera cirúrgicas na Madeira?

17 maio 2011

Na Madeira espera-se sempre o impensável.

Assumindo que ali nada se passa sem que o Governo e o seu líder saibam, é extraordinário observar o expediente, tipo chico-espertice, assumido pelo Conselho de Administração do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira perante uma lista de espera escandalosa - 11.974 almas em Março de 2011.

Na melhor tradição de antanho inventa-se uma recontagem para passar tudo a zero. O povo, esse destinatário silencioso e submisso, lá terá que se reinscrever dando folga ao escândalo mesmo a jeito de ano eleitoral.

Alberto João Jardim poderá sempre dizer em campanha para as Regionais - lista de espera? Isso é coisa dos cubanos.

Atente-se, sobre o tema, na notícia publicada ontem no Diário de Notícias da Madeira:

Os utentes que estão à espera de serem chamados para consulta externa no Hospital Central do Funchal (Dr. Nélio Mendonça ou Marmeleiros) desde o ano passado, arriscam-se a 'perder a vez'. Isto porque, a Direcção Clínica do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) decidiu, já no princípio do corrente ano, suspender a referenciação de utentes datada até Dezembro de 2010. 

Isto significa que as listas de espera para as consultas externas foram 'eliminadas' administrativamente por força da informatização do processo clínico e referenciação electrónica que entrou em vigor há poucos meses. 

Porém, os utentes que aguardam por uma consulta há já vários meses, de nada foram informados. A situação ainda é mais séria, tendo em conta que, para voltarem a integrar as listas de espera para consultas hospitalares, terão de regressar aos médicos de família (ou privados) e requerer nova referenciação (o chamado processo de 're-referenciação'). Sem tal procedimento, o nome do utente nunca vai voltar a constar das listas para consulta. 

O DIÁRIO sabe também que utentes referenciados electronicamente a partir de Janeiro deste ano já terão sido observados nas consultas hospitalares, enquanto que outros, com referenciações em papel e anteriores a Dezembro de 2010, continuam à espera.

A situação afecta pelo menos três especialidades: Ortopedia, Neurocirurgia e Oftalmologia. Aliás, num documento interno do SESARAM ao qual o DIÁRIO teve acesso, relativo ao Serviço de Ortopedia e datado de 16 de Fevereiro de 2011, é informada a decisão de "suspender toda a referenciação datada até Dezembro de 2010, começando a assumi-la a partir de Janeiro de 2011". No canto inferior direito do documento surge um parecer do director clínico. Miguel Ferreira escreve que "dado o volume imenso de credenciais sem solução, terá de ser desta maneira".

Confrontado pelo DIÁRIO, o director clínico explicou que a situação afecta apenas os serviços com maiores listas de espera e que tinham "centenas e centenas de credenciais em papel". Porque seria "impensável" estar a introduzir os dados de cada credencial no sistema informático ("seriam gastos dias e dias de trabalho"), foi tomada a decisão de suspender a referenciação feita até Dezembro do ano passado. "O que optamos foi: todos os colegas fazem já a referenciação no computador e pedimos aos médicos de família para, à medida que as pessoas lá vão, reavaliá-las e, se necessário, voltarem a refenciá-las, desta vez informaticamente". Segundo porém conseguimos apurar,  nem todos os médicos de família terão já sido informados desta situação.

Ordem dos Médicos atenta O Conselho Médico do Funchal da Ordem dos Médicos já está ao corrente da situação e está actualmente a tentar averiguar o que se passa nas consultas externas e resolver o problema, evitando que os utentes sejam mais prejudicados.

A presidente da OM ao nível regional, Henriqueta Reynolds refere que para os médicos de Medicina Geral e Familiar (que seguem mais de um milhar de pessoas isto sem contar com as consultas de recurso) será muito difícil fazer a re-referenciação dos utentes, já que antes da informatização as credenciais eram passadas em papel e os centros de saúde não ficavam com qualquer cópia.

Assim, terão de ser os utentes a procurar os seus médicos de família e pedir a nova referênciação informática. De qualquer modo, perderão o 'lugar' que já teriam na lista.


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