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Sindicato Independente dos Médicos

Utentes "marcam o ponto" para não perder médico de família

28 abril 2012

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos considera que a limpeza das listas dos médicos de família é um "logro" e alerta que já há pessoas a "marcar o ponto" nos centros de saúde para não perderem o seu clínico.

Em entrevista à Agência Lusa, Jorge Roque da Cunha pronunciou-se sobre uma medida do Ministério da Saúde, que arrancou recentemente, e que consiste em passar para uma lista de "inativos" os utentes que estejam há mais de três anos sem ir ao centro de saúde, de forma a dar lugar a outros utentes sem médico.

Na opinião do sindicalista, esta medida tem sido "uma asneira" da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo [ARSLVT], que "tem tido grande necessidade de protagonismo" e de "aparecer bem na fotografia".

"Em primeiro lugar, achamos que o Estado é incompetente nessa matéria e temos dito isso. Não é admissível que num país com 10 milhões de habitantes haja 11 milhões de pessoas com cartões de utentes", afirmou.

Lembrando que o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) sempre foi a favor da racionalização e de que o Estado resolva esse problema, Jorge Roque da Cunha sublinha que não pode é resolvê-lo de uma forma administrativa.

"Não pode resolver, criando condições para que os médicos vejam aumentadas as listas em 300 ou 400 pessoas", frisou.

O responsável do Sindicato Independente dos Médicos critica o facto de se querer pôr de parte utilizadores que não vão ao centro de saúde há mais de três anos, simplesmente porque estão saudáveis, e colocar no seu lugar outros utilizadores.

O problema -- salienta - é que se aqueles utentes que foram "indevidamente expurgados" necessitarem de ir ao centro de saúde, têm que ser atendidos por um médico, ou seja, esse médico estará a atender um doente a mais do que os que constam da sua lista.

"O Estado assinou com os sindicatos uma lei que diz que os médicos de família têm 1.550 utentes. O Estado tem que cumprir essa diretiva, não pode artificialmente fazer aumentos administrativos de listas de utentes porque está a enganar as pessoas em relação a essa matéria", afirmou.

No fundo, sustenta o responsável, o Estado está a dizer às pessoas que vai dar médicos de família a todos, quando na prática muitos dos que têm médico de família, quando recorrerem ao centro de saúde, verificarão que por uma questão meramente administrativa deixaram de ter.

Por considerar "inadmissível" haver este "logro", o SIM elaborou em março ofícios para as ARS, a que se juntam minutas individuais feitas por médicos, pedindo que seja cumprida a lei.

Jorge Roque da Cunha alertou ainda para uma situação que considera "muito grave", que é o "alarme social" que a medida causa.

"Temos visto pessoas a irem ao centro de saúde marcar o ponto, porque se não vão lá fazer a marcação do ponto deixam de ter acesso. Não é uma coisa admissível", denunciou.

Questionado sobre as soluções que aponta, o responsável do SIM defende a abertura de concursos, em vez de pagar a empresas prestadoras de serviços, que "custam muito mais ao Estado".

A solução é "dar condições aos médicos, a maioria dos médicos nos cuidados primários tem listas superiores a 1.500, já dão esse contributo", lembrou, considerando inaceitável colocar mais 300 pessoas nas listas de médicos que já têm 1.800.

Como exemplo, referiu as Unidades de Saúde Familiar, que aceitaram aumentar as suas listas em troca de incentivos.

Jorge Roque da Cunha garantiu que será tomada uma posição conjunta dos dois sindicatos representativos dos médicos (SIM e FNAM) e da Ordem dos Médicos.

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