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Sindicato Independente dos Médicos

O adeus de um médico

03 junho 2017
O adeus de um médico

Carta de despedida de um Delegado Sindical (expurgada das referências pessoais):

Antes de mais e por razões óbvias um grande obrigado por tudo.

Pretendo que seja o primeiro dos meus "camaradas” do SIM a saber da minha decisão de emigrar para França, Paris. As minhas razões são milhentas como deve imaginar, porém há uma que recuso categoricamente – Financeira, até porque vou baixar de nível de vida. Entre as milhentas razões realço, embora consciente de que não há países ideais, o futuro dos meus filhos. Já não acredito neste nosso país, e embora as coisas pareçam estar a melhorar, acredito que virá um, e outro, e mais outro dia em que se vai enterrar de dívidas e pedir novamente dinheiro emprestado com todas as consequências nefastas que daí advirão, porque continuará a ser um país dos "chicos espertos”, dos compadrios e das cunhas amparados por uma justiça fraca. Que cunhas vou eu encontrar para que um dia possa empregar os meus filhos se passo a vida trabalho-família-trabalho e não conheço ninguém?! Não me poderei fiar nas suas competências e méritos pessoais, mas sim nos amigos políticos.

Procuro fora a cultura que falta aqui. Os meus filhos seguem a linha da música: Contrabaixo, violino e piano. Evidentemente que tudo na cultura de um país é importante, mas Portugal gosta demasiado de S. "Joões”, S. "Antónios” e S. "Pedros”. Para mim pátria (pai) não é o país onde nascemos, mas o país que respeita acima de tudo o futuro dos meus filhos, e um pai (pátria) deve amar os seus filhos.

Recuso o objectivo redutor de emigrar para construir um castelo em Portugal. Não pretendo como a maioria dos emigrantes passar a vida em França e que nunca permitiram que a vida francesa passasse por eles.

Estou farto da forma como se trabalha agora em Portugal. Noto muito bem a diferença como se trabalhava há 10-20 anos atrás. As USF(s) são centros de espionagem e contra-espionagem, centros de hipocrisia em que as pessoas obrigam-se a uma amizade e a viver juntas em pseudo-cooperativas porque não têm capacidade emocional, coragem, para fugir e talvez o dinheiro compense.

Sei que a França tem burocracia que chegue, mas da minha experiência lá, alguma, percebo muito bem que é uma burocracia funcional e que nós médicos aqui viveríamos muito bem com a burocracia deles. O nosso "paízinho” conseguiu transformar o computador, que veio para facilitar a vida ao Homo Sapiens, numa fonte desgraçada de burocracia e problemas. Típico de ditadura: Para quê simplificar se se pode complicar?! Um "paízinho” que se estivesse na América do Sul ou em África teria uma desculpa, mas na Europa!

Metas e mais metas, e mais indicadores, que só têm vantagens financeiras e ofuscam a nossa perceção das queixas/sintomas, e outros sinais, que não fazendo parte daquelas metas, passam-nos despercebidos e são por vezes "inconscientemente negligenciados”.  Acabei por perceber que a maioria de nós come tudo o que lhe põem no prato e estão sempre à espera que sejam os outros a rejeitar essa mer... Tenho consciência de que o salto será grande, mas a queda poderá ser maior ainda. Mas uma força maior e sublime me conduz: Pretendo dar uma verdadeira pátria aos meus filhos.

Logo veremos.

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