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Sindicato Independente dos Médicos

Médicos de Família à beira de um ataque de nervos com sistema informático

18 janeiro 2018
Médicos de Família à beira de um ataque de nervos com sistema informático
O programa informático utilizado na grande maioria das unidades dos Cuidados de Saúde Primários, designado SClínico CSP, foi ontem atualizado em várias unidades para a versão 2.6.

Da atualização resultou o caos em várias unidades. Divulgamos a exposição de uma Médica de Família enviada à SPMS, ULS Matosinhos, ACSS, Ordem dos Médicos, IGAS, Entidade Reguladora da Saúde e à Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho:
Eu, Hermínia Isabel Ferreira Teixeira, médica especialista em Medicina Geral e Familiar com a cédula profissional número 47579, a exercer funções como Assistente na Unidade Local de Saúde de Matosinhos E.P.E, venho por este meio reclamar pelos incidentes recorrentes após as sucessivas atualizações do sistema informático SClínico no último ano. De forma inconsequente, as várias atualizações do sistema informático utilizado na consulta de Medicina Geral e Familiar dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tem prejudicado os utentes na gestão dos seus problemas de saúde pela sua complexidade, lentidão e lapsos de informação clínica do utente, podendo originar erros médicos frequentes, além de provocar consecutivos atrasos no atendimento dos utentes e inaceitável desgaste nos profissionais médicos por inadequadas condições de trabalho. Apesar dos vários alertas enviados pelos profissionais médicos, os incidentes têm-se perpetuado com prejuízo dos utentes, dos profissionais médicos e reflete-se na qualidade do serviço prestado.

Na madrugada de ontem foi realizada nova atualização do referido programa e como habitual, com grande impacto na nossa atividade clínica durante o dia de ontem que se perpetua hoje. Durante todo o dia de ontem, a lentidão do sistema perturbou o normal funcionamento da consulta, nomeadamente, dificuldade em aceder ao historial clínico e exames auxiliares diagnóstico, indisponibilidade de consulta do histórico da medicação crónica, dificuldade para efetuar a prescrição medicamentosa – provocando atrasos sucessivos no cumprimento do horário de agendamento de consultas, insatisfação dos utentes e ainda desgaste dos profissionais médicos. Desta forma, e uma vez que estes incidentes são frequentes, reiterados no tempo e apesar dos sucessivos alertas têm sido ignorados por quem tem responsabilidade em garantir o normal funcionamento das Unidades dos CSP do SNS, proteger utentes e os profissionais, venho solicitar a vossa reflexão para pôr cobro a esta situação.

Informo ainda que estas condições de trabalho estão a colocar em risco o nosso ato médico e de forma grave podem colocar em risco os utentes, o que certamente não vos ficará indiferente.

Informo que será dado conhecimento desta exposição à Ordem dos Médicos, ACSS, IGAS, Entidade Reguladora da Saúde e à Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho.

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