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Sindicato Independente dos Médicos

Demissões: “O que vemos são os médicos a assumir a defesa dos doentes”

05 agosto 2018
Demissões: “O que vemos são os médicos a assumir a defesa dos doentes”
Público, 5 ago 2018, Ana Maia

Apesar de alguns sinais positivos, como a recente abertura de concursos para jovens especialistas, o bastonário dos médicos afirma que é preciso fazer mais. Em entrevista ao PÚBLICO, Miguel Guimarães diz que a capacidade da maioria dos hospitais está no limite. E quando a segurança clínica está em causa, refere, os médicos dão um grito de alerta. Foi o que se passou com pedidos de demissão em bloco. "É o que acho que todos os médicos do país têm de fazer ."

Porque parece haver um desfasamento entre o discurso político e o dos profissionais de saúde?
Há uma coisa que pode aproximar os discursos que é a evolução da medicina. Hoje é mais rápida, eficaz e tem menos complicações. Quando se diz que operamos mais doentes é porque as cirurgias são mais rápidas. Temos melhores resultados porque a medicina evoluiu. Mas se fosse feito um inquérito aos profissionais, provavelmente eles diriam que as coisas estão piores.

Porquê?
Porque existem deficiências identificadas. Não vale a pena os ministros da Saúde ou das Finanças dizerem que há mais médicos agora do que há cinco anos, porque as necessidades da população não são iguais. Temos mais pessoas que têm mais informação e são mais exigentes. E, na realidade, a nossa capacidade de resposta está mal. A grande maioria dos hospitais já está no limite. Continua-se a exigir mais a pessoas que já não conseguem fazer mais se não se aumentar a capacidade de resposta. Neste momento há muita coisa que precisa de mudar. Acho que o Ministério da Saúde ainda está a tempo de corrigir algumas situações.

Recentemente, os directores de serviço dos hospitais São José (Lisboa) e Tondela-Viseu apresentaram demissão por falta de condições. Há mais hospitais onde isso pode acontecer?
Dois onde pode acontecer: Vila Real e Gaia. Mas existem outros, pois vou recebendo mensagens e contactos. Vou tentando ajudar os meus colegas em tudo o que é necessário. Quer um hospital, quer outro têm condições difíceis, não só em termos de urgência mas de capacidade de resposta global. Quer um, quer outro têm tido promessas da Administração Regional de Saúde do Norte, do Ministério da Saúde, de resolução de algumas situações que não têm sido cumpridas.

(...)

Quando as pessoas começam a sentir que a segurança clínica pode estar em causa, dão um grito de alerta. Foi o que fizeram os médicos de São José e as médicas da Maternidade Alfredo da Costa e é o que acho que todos os médicos do país têm de fazer. De alguma forma somos os provedores dos doentes. O que vemos são os médicos a assumir publicamente a defesa dos doentes.

Artigo completo em Público.

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