Quando em 2010, e perante a então Ministra da Saúde Dr.ª Ana Jorge, o SIM deu o seu acordo à contratação de médicos aposentados para suprir as carências gritantes em Médicos de Família, fê-lo mediante alguns pressupostos: que tais contratações seriam unicamente para tarefas assistenciais, que seriam contratos anuais, e que haveria contrapartidas financeiras atrativas para os interessados.
Esta medida, que se pressupunha temporária, tem no entanto continuado a ser adotada até agora.
Com todo o respeito que o SIM tem pelos médicos aposentados que prosseguiram ou retomaram tarefas assistenciais, em todas as últimas reuniões negociais tem defendido que seja posto fim a estas contratações.
Por uma razão muito simples: estão a ser sonegados postos de trabalho a médicos recém-especialistas. E para esses lugares devem ser abertas e postas a concurso as vagas correspondentes.
Tanto mais que a profissão médica tem um risco e penosidade irrefutáveis, limitando inclusive em função da idade a prática de certas tarefas assistenciais e em determinados contextos.
Já para não falar nalgumas situações em que tais contratações se aplicaram lamentavelmente não a tarefas assistenciais mas a tarefas de gestão e chefias.
O SIM interpela desde 2017 todas as ARS, nesse ano com conhecimento até à então Presidente da ACSS (e atual Ministra da Saúde), alertando para que com essas contratações se está a obstaculizar a entrada no SNS de jovens médicos recém-especialistas, médicos esses que irão garantir continuidade e sustentabilidade ao SNS, e que deverão ser dados a conhecer atempadamente à ACSS tais postos de trabalho com vista à abertura de vagas correspondentes em cada concurso, restringindo eventuais contratações de médicos aposentados às vagas sobrantes.
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