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Sindicato Independente dos Médicos

Comunicado: Empurrar doentes de urgências no limite para centros de saúde no limite não é solução

16 janeiro 2020
Comunicado: Empurrar doentes de urgências no limite para centros de saúde no limite não é solução
Com o discurso de que se trata de uma medida de "valorização do percurso dos utentes com doença aguda", o projeto "SNS + Proximidade" pretende, entre outros aspetos, desviar os utentes dos Serviços de Urgência hospitalares, empurrando-os para as unidades de Cuidados de Saúde Primários.

Trata-se de um projeto que pretende empurrar os utentes dos Serviços de Urgência para os Centros de Saúde sem ser feito previamente qualquer reforço dos recursos humanos médicos destas unidades.

Ou seja, mantendo os mesmos Médicos de Família, é objetivo do Governo sobrecarregar ainda mais estes médicos, criando ainda mais problemas de acesso a consultas nos Centros de Saúde, na expectativa de conseguir resolver os problemas das urgências hospitalares.

Os Médicos de Família estão há muito tempo no limite da capacidade. Estão até maioritariamente acima do limite, com consultas programadas marcadas com meses de antecedência e consultas de doença aguda a preencher completamente as agendas.

Os 5762 Médicos de Família do SNS fazem anualmente mais de 31 milhões de consultas aos seus utentes, das quais mais de 20 milhões são consultas presenciais.

Esperar que sejam os Médicos de Família a resolver o problema das urgências dos hospitais, ou seja, o problema dos 6 milhões de episódios de urgência nos hospitais do SNS, sem um prévio reforço do número de Médicos de Família e sem a redução do número de utentes atribuído a cada Médico de Família, é um erro.

Não é possível pedir mais aos Médicos de Família. Não é possível que os Médicos de Família façam mais quando já têm uma agenda completamente cheia com os mais de 20 milhões de consultas dos seus quase 1800 utentes atribuídos, em média, a cada médico.

Por outro lado, permitir que os hospitais marquem consultas diretamente na agenda dos Médicos de Família dos Centros de Saúde é uma interferência abusiva nos Cuidados de Saúde Primários, incluindo da linha SNS24 que envia utentes para os Centros de Saúde sem critérios, com indicação para observação médica em períodos de tempo muito mais reduzidos do que aquilo que os critérios clínicos e a lei determinam.

Senhora Ministra da Saúde, chega de propaganda! Basta de medidas ineficazes que de nada servem para além de fazer parecer que está a fazer alguma coisa. É tempo de definitivamente criar condições que fixem e atraiam médicos para o SNS.

O SIM manifesta a sua solidariedade com os doentes que se defrontam com enormes tempos de espera, vítimas de um Ministério da Saúde insensível e incapaz de resolver os problemas do SNS.

O Secretariado Nacional do SIM,

Lisboa, 16 de janeiro de 2020


Comunicado: Empurrar doentes de urgências no limite para centros de saúde no limite não é solução
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