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Sindicato Independente dos Médicos

Urgência no Hospital de Almada em rotura

08 junho 2022
Urgência no Hospital de Almada em rotura
Chegou ao conhecimento do SIM mais um pungente alerta dos médicos do Hospital Garcia de Orta (HGO) em Almada que exigem condições para tratar os seus doentes.

A missiva enviada hoje para a tutela e responsáveis máximos do hospital denuncia as atuais péssimas condições do Serviço de Urgência (que, inclusive, tem estado intermitentemente fechado!) na resposta à população.

Infelizmente a situação está tão degradada e o risco de erro médico tão aumentado que os médicos se vêm forçados a apresentar minutas de escusa de responsabilidade.

O Ministério da Saúde e o Conselho de Administração não podem fingir que desconhecem o problema e as condições em que estão a ser tratados os doentes. Exige-se atos urgentes e não meros discursos de boas intenções.

Por fim o SIM expressa a sua solidariedade com os mais de 60 médicos, incluindo chefes de equipa, médicos especialistas e médicos internos do serviço de urgência do HGO que subscreveram este alerta.

A missiva a que acima nos referimos:
"A situação que se vive no Serviço de Urgência nos últimos dias está a ultrapassar os limites do imaginável e a esgotar os profissionais de saúde a todos os níveis. Não temos obtido qualquer tipo de resposta dos nossos superiores, com os quais temos comunicado via email nos dias em que estamos de urgência através de descrições curtas e objectivas da situação, e através das escusas de responsabilidade. Sentimos falta de respeito, falta de plano, falta de gestão e liderança da hierarquia superior do HGO.

O que se vive hoje no Serviço de Urgência não é gerível de forma nenhuma. Se tentamos encontrar motivação na profissão que nos move todos os dias, há que reforçar que de momento não há motivação que consiga ao final de 8, 12, 16, 24h de trabalho assegurar condições de segurança, qualidade, nem sequer nos mínimos aceitáveis para cuidar das centenas de pessoas a nosso cargo.

A chefia de equipa atingiu limites indescritíveis, com a sensação global de incapacidade de gestão de tantas áreas de trabalho, de mais de 80 doentes internados na UiMC, de quase 30 doentes internados no ADR, de uma área de observação clínica sem espaço para dignidade, segurança, tratamento dos mínimos, higiene, controlo de infecção, e um infindável de erros constantes por falta de tempo, de capacidade, de espaço, de limpeza, de recursos humanos e materiais. De salientar a franca incapacidade de administração terapêutica a tempo e horas aos doentes, que já era um problema significativo, mas agora se agravou de forma absurda e gravíssima ao ponto de chegarmos muitas das vezes já tarde demais ao tratamento seguro e eficaz de muitos doentes. Se pudéssemos enumerar todos os problemas fundamentais (falhas na escala de outras especialidades, chegando à ausência completa de urgência de ginecologia e ortopedia numa urgência polivalente) alongar-nos-íamos demasiado nesta exposição, e na verdade consideramos que já o fizemos por vezes sem conta e houve mais que tempo e oportunidades de tentar pelo menos corrigir algumas situações. Seja como for, o objectivo de momento é mesmo alertar para o facto de os limites terem sido todos atingidos e não repetir o discurso dos últimos anos.

O problema informático obviamente que agravou toda a situação, mas não pode ser uma desculpa para deixar que o caos se arraste no tempo e leve consigo os doentes - é urgente uma organização séria e eficiente.

Esta manifestação de urgência em actuar vem também da parte de todos os outros assistentes hospitalares e internos que cumprem horas no serviço de urgência, e por certo dos enfermeiros e auxiliares, e todos os outros profissionais que todos os dias lutam para conseguir chegar ao fim de um turno ilesos e com sensação de trabalho cumprido - dois aspectos simples e raros de momento. Os problemas prolongam-se no tempo, mais uma vez sem qualquer resposta, sem qualquer solução, e a lista repete-se anos após anos, pré-, intra- e pós-pandemia..!

É urgente uma resposta, um plano, e estamos no limite de tudo o que é razoável. A nossa capacidade para tolerar esta situação termina agora. Não queremos compactuar com esta situação, e como tal transferimos desde já a responsabilidade para o Conselho de Administração.”

E enquanto isto a urgência de Obstetrícia anunciou que está encerrada.

O SIM EXIGE RESPOSTAS.
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