Foi noticiado muito recentemente que o Ministério da Saúde encomendou um estudo à OMS para tentar perceber as causas do excesso de mortalidade que vem sendo observado desde os últimos anos.
Contudo, de acordo com estudo realizado pelo INSA, divulgado dias antes da referida notícia, esse acréscimo - estimado em 16% - é atribuível à atividade gripal sazonal.
Contudo, de acordo com estudo realizado pelo INSA, divulgado dias antes da referida notícia, esse acréscimo - estimado em 16% - é atribuível à atividade gripal sazonal.
Conclui-se, portanto, que o Governo não atribui credibilidade ao Departamento de Epidemiologia do seu laboratório de referência nacional e que, só após repetidas insistências do SIM, são levados a sério os alertas.
Escassos três meses após a declaração da pandemia, em junho de 2020, o SIM alertou para as suas consequências no respeitante às doenças crónicas mais prevalentes ("vamos ter calamidade, em termos de mortalidade e morbilidade”). Um ano depois, em abril de 2021, voltámos a alertar para o facto dos médicos de família serem retirados das suas consultas – a favor da atividade COVID-19 e no prejuízo do seguimento dos doentes crónicos.
Novamente, em agosto de 2022, alertámos para o aumento "preocupante, pela sua dimensão e persistência no tempo” da mortalidade observada. Reiteramos o que afirmámos então:
- Além de causas já conhecidas e esperadas - como a COVID-19 e os fenómenos meteorológicos extremos (calor e frio) - há situações de carácter estrutural no SNS sem resposta adequada por parte do Ministério da Saúde.
- Os serviços responsáveis pela monitorização dos fenómenos de saúde (DGS e INSA) estão depauperados e sem capacidade de cumprir, em tempo útil, as tarefas que lhes estão atribuídas.
Em vez de reforçar as instituições públicas que têm as responsabilidades técnicas, o Governo vai preferindo nomear pessoas e comissões ad-hoc para dar resposta ao que surge na comunicação social. Trata-se duma perspetiva míope, de "penso rápido”, que demonstra a ausência de rumo...
A revolução organizacional que o SNS enfrenta "em plena tempestade” contribui para o agravamento da confusão instalada nos últimos anos e, face à realocação sistémica de competências, para o depauperamento de serviços-chave.
A perspetiva do SIM é distinta: preconizamos, agora como desde sempre, o fortalecimento estrutural do SNS e das instituições de referência a nível nacional para que o País possa dar resposta, a tempo e horas, aos problemas de saúde dos cidadãos.
O SNS assim o exige. A saúde dos portugueses a isso obriga!
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