Com a máquina da propaganda bem oleada, o Senhor Ministro da Saúde dá hoje uma extensa entrevista ao Jornal Público.
A referência a negociações sindicais é uma constante, mas a verdade é que os resultados objetivos são escassos e a questão estrutural da revisão das grelhas salariais permanece num limbo.
Perante a gritante falta de Médicos de Família, que na Grande Lisboa é dramática, o Senhor Ministro anuncia novamente vagas carenciadas com remuneração acrescida.
Trata-se, na verdade, de um regime existente há quase oito anos, criado em junho de 2015, com o resultado que tem sido visível, ou seja, a incapacidade de captar e fixar Médicos de Família no SNS, agravada pelo facto de ter um limite de seis anos para a remuneração acrescida.
Refere o Senhor Ministro da Saúde que «a medida estrutural mais importante passa por aumentar a formação de Médicos de Família». É falso.
Há hoje mais de dois mil Médicos de Família fora do SNS. De pouco serve aumentar a formação de Médicos de Família se não há condições de trabalho e remuneratórias para os fixar depois de formados.
O Senhor Ministro da Saúde tem Médicos de Família fora do SNS em número suficiente para resolver, em poucos meses, um problema que está em acentuado agravamento nos últimos anos.
Uma outra vertente da medida que agora é anunciada é a de criar uma gritante situação de desigualdade entre médicos colocados nos mesmos locais geográficos, já que os que têm aguentado o barco do SNS nestas águas revoltas não terão remuneração melhorada.
Não faz sentido o anúncio de medidas dispersas. É fundamental uma nova grelha salarial compatível com a formação técnico-científica e o nível de responsabilidade exigidos aos médicos. Sem isso, cada vez mais médicos sairão do SNS e menos optarão por entrar no SNS.
Partilha