A Federação Europeia dos Médicos Assalariados (FEMS), da qual o SIM é membro, manifesta a sua profunda preocupação com a crise humanitária em curso em Gaza, marcada por níveis extremos de desnutrição, pelo colapso do sistema de saúde e pelo sofrimento generalizado da população civil.
Sublinha firmemente a necessidade de respeitar os princípios fundamentais do direito humanitário internacional e da neutralidade médica. Os profissionais de saúde devem poder exercer as suas funções em segurança e os doentes - especialmente os mais vulneráveis - devem ter acesso livre e desimpedido a cuidados essenciais.
A FEMS está solidária com todas as vítimas do conflito, com os colegas que continuam a prestar cuidados em condições extremamente difíceis e com o povo de Gaza, que enfrenta uma catástrofe humanitária evitável e eticamente inaceitável.
Perante as graves violações documentadas por diversas organizações independentes, apela:
- ao levantamento imediato de todas as restrições à entrada e distribuição de ajuda humanitária, através de canais seguros e internacionalmente reconhecidos;
- ao pleno respeito pelo direito humanitário internacional, incluindo o fim dos ataques contra civis, instalações médicas, ambulâncias e profissionais de saúde;
- ao envolvimento das instituições europeias e dos governos nacionais na promoção de todos os esforços diplomáticos que conduzam a um cessar-fogo permanente.
Enquanto organização que representa médicos assalariados em toda a Europa, a FEMS reafirma o seu compromisso na defesa do direito à saúde e na preservação dos valores fundamentais da profissão médica: humanidade, integridade e justiça.
Perante uma crise desta magnitude, o silêncio não é uma opção. A comunidade médica europeia tem o dever de se pronunciar em defesa da vida, da dignidade humana e das convenções internacionais que protegem a saúde em tempos de guerra.