Já começou o processo de escolha da especialidade, com 2330 vagas disponíveis para cerca de 2370 candidatos. Infelizmente, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) antecipa que as vagas não venham todas a ser ocupadas, apesar do número historicamente elevado agora colocado a concurso.
Este aumento de vagas representa uma oportunidade concreta para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e reduzir a crónica carência de especialistas em várias áreas.
O SIM deixa um apelo claro a todos os colegas que têm agora a oportunidade de escolher uma especialidade:
- Aproveitem as vagas agora abertas pelo Governo e pela Ordem dos Médicos, num momento em que existe uma capacidade formativa alargada e um esforço coletivo para melhorar as condições de entrada na especialidade. São oportunidades reais para iniciar um percurso formativo sólido e contribuir para um SNS mais robusto, sustentável e capaz de responder às necessidades da população.
Reconhecemos que esta escolha é tomada num contexto particularmente exigente. O estudo recentemente apresentado pelo SIM, disponível em
https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/frhs.2023.1190357/, evidencia de forma clara os desafios enfrentados pelos médicos internos: cargas de trabalho muito elevadas, horas extraordinárias frequentemente não remuneradas, autonomia assistencial precoce, pressão crescente nos serviços de urgência e custos pessoais significativos com formação. Estas realidades ajudam a explicar as dúvidas legítimas que muitos colegas sentem e reforçam a necessidade de garantir condições formativas sólidas e seguras.
No entanto, alertamos também para o risco real de permanecer sem especialidade ao longo da vida profissional, uma armadilha que limita o desenvolvimento técnico, científico e remuneratório dos médicos e fragiliza a capacidade de resposta do SNS.
Cada médico que fica sem especialidade representa uma oportunidade perdida para o país e um prejuízo irreparável para o SNS. Compreendemos plenamente as dúvidas e incertezas que muitos colegas sentem neste momento mas é precisamente por isso que apelamos a que não desperdicem esta oportunidade de avançar na sua formação.
O SIM recorda o trabalho que tem desenvolvido para melhorar as condições do internato médico, com avanços já concretizados na valorização das condições remuneratórias e na proteção do trabalho realizado durante a formação.
Além disso, e uma vez que o Estado não disponibiliza qualquer mecanismo específico de apoio direto à formação, o SIM mantém um fundo anual de 150 mil euros destinado a apoiar atividades de formação, investigação e desenvolvimento científico dos médicos internos.
O Sindicato dará também o seu contributo ativo para a revisão do regime do internato médico, quando o mesmo estiver em discussão, defendendo as reivindicações dos médicos internos para um modelo mais justo, transparente e alinhado com as necessidades reais de formação e do SNS.
O SIM continuará a acompanhar todo este processo, a defender condições dignas de formação e trabalho e a promover políticas que valorizem verdadeiramente a formação médica especializada em Portugal, para que se possa dar uma resposta a todos os cidadãos.