Política de Cookies

Este site utiliza Cookies. Ao navegar, está a consentir o seu uso.Saiba mais

Compreendi
aa

Sindicato Independente dos Médicos

O que o Concurso de Médicos nos diz sobre o SNS

19 dezembro 2025
O que o Concurso de Médicos nos diz sobre o SNS
O concurso recentemente lançado para a contratação de médicos especialistas evidencia a necessidade urgente de rever o modelo de recrutamento e planeamento de recursos humanos do Serviço Nacional de Saúde, tornando-o mais previsível, coerente e capaz de responder às necessidades assistenciais reais.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) tinha já alertado para o atraso verificado e para a persistência de um modelo concursal que não abre vagas para todas as necessidades identificadas, realidade que se veio a confirmar no concurso agora lançado, gerando frustração entre médicos e nas próprias ULS.

Um sistema eficaz exige previsibilidade, continuidade e capacidade de resposta. Isso implica concursos abertos em tempo útil, assentes num modelo de vagas permanentemente abertas, que permita converter necessidades identificadas em contratação efetiva, sem bloqueios administrativos nem janelas temporais artificiais.

A correspondência entre vagas abertas e necessidades reais é um requisito básico de qualquer política de recursos humanos minimamente funcional. Um modelo deste tipo deve permitir que:
1 - O número e a distribuição das vagas reflitam critérios assistenciais objetivos e transparentes, e não limitações administrativas ou financeiras alheias à realidade do terreno;
2 - As necessidades identificadas e formalmente solicitadas pelas instituições sejam efetivamente consideradas no desenho dos concursos;
3 - Vagas não ocupadas em concursos anteriores sejam automaticamente reabertas;
4 - Necessidades asseguradas através de prestação de serviços sejam transformadas em vínculos estáveis;
5 - Médicos possam permanecer nas unidades onde concluíram o internato sempre que existam necessidades reconhecidas.

O concurso agora lançado confirma também a urgência de um planeamento estruturado de recursos humanos, com responsabilidades claras e articulação efetiva entre a ACSS, a Direção Executiva do SNS e as ULS, bem como com os três IPO e as restantes instituições sob a tutela do Ministério da Saúde. Sem essa articulação, o sistema continuará a produzir decisões desligadas da realidade assistencial e das carências no terreno.

Para que o SNS seja competitivo na contratação de médicos, é indispensável ultrapassar a dependência de autorizações bianuais do Ministério das Finanças, que condicionam a resposta atempada e comprometem a fixação de profissionais.

O SIM volta a sublinhar que o sucesso de um concurso não se mede por exercícios estatísticos, mas pela capacidade concreta de contratar e fixar médicos no SNS. Maximizar a contratação deve ser o critério central, mesmo quando isso implique reconhecer que subsistem necessidades por suprir.

Este concurso mostra que o caminho para um SNS sustentável passa por vagas permanentemente abertas, planeamento sério, previsibilidade e responsabilização institucional. Sem estas condições, o SNS continuará a perder capacidade de resposta e a desperdiçar médicos disponíveis para nele trabalhar.

O SIM exige um modelo de contratação que responda aos médicos e às necessidades das populações e que assegure o fortalecimento dos serviços de saúde.
Horas ExtraCalculadora

Torne-se sócio

Vantagens em ser sócio