A persistência de um modelo de concursos médicos limitado a dois momentos anuais continua a impedir o Serviço Nacional de Saúde de aproveitar oportunidades reais de contratação e fixação de médicos. Esta foi uma das principais mensagens deixadas pelo Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Nuno Rodrigues, na sua intervenção no Fórum TSF.
Para o SIM, a concentração da contratação em apenas dois períodos constitui um modelo ultrapassado. "Enquanto permanecermos num modelo retrógrado de só haver dois concursos anuais, o SNS continua a perder oportunidades de fixar e manter especialistas”. O Sindicato defende, por isso, a abertura regular e permanente de concursos, ajustados às necessidades reais dos serviços.
A morosidade dos procedimentos é outro problema central. Nuno Rodrigues destacou o concurso para assistente graduado (consultor), aberto em 2023, cujas provas só agora se iniciaram. "Como é que um concurso pode demorar dois anos?”, questionou, sublinhando a dificuldade dos médicos em confiar num sistema em que um processo concursal pode prolongar-se até 2026.
Para o SIM, a competitividade do SNS não depende apenas de condições remuneratórias. A ausência de concursos céleres e previsíveis fragiliza essa confiança e compromete a capacidade de planeamento das carreiras médicas.
Apesar das dificuldades, o Secretário-Geral do SIM salientou que existem sinais positivos que importam reconhecer. Segundo referiu, "há mais de 190 mil pessoas com médico de família do que há um ano”, demonstrando que o SNS tem aumentado a capacidade de resposta, embora continue a enfrentar um crescimento significativo da procura.
O SIM reafirma que a reforma dos concursos médicos é indispensável para garantir um SNS mais competitivo, previsível e capaz de atrair e reter médicos, assegurando uma resposta adequada às necessidades da população.