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Sindicato Independente dos Médicos

A vaca SNS reformou-se

09 setembro 2011

Um doente quando recorre a um médico em consulta privada segue o que a sua consciência e a sua carteira determinam.

Dessa escolha não é aceitável que se depreenda que o SNS tem obrigação de suportar parte significativa da sua escolha de recurso privado.

O SNS é o SNS. Querer que também seja o que decorra de qualquer instituição ou consultório privado, como o que já se faz com a medicação, é um passo de gigante que o SNS não pode, nem deve, suportar financeiramente.

Quando um doente sai de um consultório privado de um médico traz consigo um conselho, uma indicação, uma terapêutica e, muitas vezes, requisições várias de meios auxiliares de diagnóstico. Pode dirigir-se à farmácia, se for o caso, e pode dirigir-se a qualquer laboratório de patologia ou de imagem onde, com agrado e esmero, lhe serão prestados todas as indicações do seu médico. 

Com que direito o doente entende que, como pagante de impostos ou pela simples existência como português, do acto privado tem de decorrer participação pública do que daí decorra?

Chega. Basta.

O actual Ministro da Saúde colocou, corajosamente, a mão num vespeiro e fez o que muitos têm ameaçado ao longo dos anos de forma inconsequente: o SNS é o SNS, o privado é o privado. São concorrentes, podem até ser suplectivos. Mas não podem, nem devem, ser balcões para quem tem dinheiro para pagar a consulta mas reclama o direito a comparticipação nos MCDT.

Nunca se avançou tanto na separação público privado como agora.

Quer vacinas? O SNS fornece e administra gratuitamente!

Quer pílulas? O SNS dá de borla e acrescenta vigilância cancro do colo do útero, mamária e de colaterais indesejáveis aos anticoncepcionais: tabaco, álcool e hipertensão!

Quer consulta de qualquer especialidade? O SNS tem, de facto com acesso temporal por vezes lastimoso, mas tem!

Tem exames passados pelo médico de família ou pelo médico do hospital? Então faça-os dentro de portas pois a capacidade instalada suporta todos os pedidos. Demora mais um bocadinho? Pode ser melhorado? Pode, mas tem!

Tem o utente, o doente o direito de escolha e de segunda opinião? Tem! O SNS garante-lhe por Lei tal desejo.

Pode até o doente utilizar outro serviço de saúde de outro País comunitário? Pode e, na maioria dos casos, com direito a legal reembolso.

Tem o utente/doente o direito de utilizar o sistema privado e reclamar comparticipação pública? Tinha, ainda tem em muita coisa e é bom que deixe de ter rapidamente, para bem da transparência, da verdade e, principalmente, da sanidade financeira do SNS.

Chegou a vez da vaca SNS se reformar e só atender os seus doentes. 

A abundância de leite, a que todos lançavam mão, acabou.

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