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Sindicato Independente dos Médicos

Travo azedo

18 outubro 2011

Muitos de nós atreveram-se a ser funcionários públicos. Pensaram que a consolidação de um Estado Social, para mais na Saúde, teria reconhecimento público certo e compensação remuneratória equilibrada.

Lançaram-se por esse País, desbravaram paisagens e isolamentos, criaram Unidades de Saúde de raiz, formaram alegremente os mais novos, consolidaram saberes e hierarquias técnicas, submeteram-se com distinção à avaliação internacional e deram corpo ao único serviço público com qualidade e préstimo comparável em termos internacionais – o SNS.

Pelo caminho fomos sofrendo vários desgostos.

A reforma já não era por inteiro mas tinha que introduzir parâmetros de compensação do aumento da esperança de vida.

O SNS precisava de se empresarializar, assumindo que era preciso esconder dívida e trazer gestores para colocar os médicos na linha.

Os concursos e as progressões técnicas foram limitadas ao máximo com truques de vigarice.

Os cuidados primários absorveram uma reforma com elevados danos colaterais – a uma magnífica ideia, as USF, sucedeu-se o fundamentalismo da sua execução atirando 600 médicos de família para a reforma antecipada.

Em 2009 um laivo de esperança – a consolidação da carreira médica mediante um exemplar negociação pelas regras da negociação colectiva, igualizando regimes de trabalho, independentemente de se estar em regime de contrato de trabalho em funções públicas ou em contrato individual de trabalho.

No desvario do estertor do Governo socialista os médicos foram premiados com uma taxa para pagar vigarices alheias no montante mensal de 10%.

No desespero da descoberta de tantos esqueletos nos armários, o Governo social-democrata e democrata social resolve premiar os médicos com o confisco de mais 20% dos seus rendimentos de trabalho, sonegando-lhes os subsídios de férias e Natal, mantendo os 10% que já vinham dos antecessores e, para dar o travo azedo, resolve fazer tábua rasa da contratação colectiva impondo uma redução do valor hora extra.

Os médicos em particular, os funcionários públicos, activos ou aposentados, em geral e a grande maioria dos portugueses são assim chamados a pagar todos os “já agora” das obras públicas, todos os pavilhões gimnodesportivos às moscas, todas as piscinas olímpicas em freguesias com 1000 almas, todos os almoços debitados nos cartões de crédito de gestores públicos, os colégios privados dos filhotes dos ditos, os telefonemas para as mulheres, maridos e amantes, as idas ao supermercado e às docas em popó de serviço, pontes, estradas, centros culturais, de dia, de noite, sociais, ATL, barragens, energias alternativas, associações empresariais, assessores, jornalistas, lobistas, juristas, fiscais e fiscalistas, e tudo o que a nossa raiva aqui quiser por.

Os médicos, lambendo as feridas, olhando para o que ajudaram a criar, muitos deles literalmente, têm que decidir, em consciência, o nível de colaboração com este embuste.

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