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Sindicato Independente dos Médicos

Torna-se arriscado parir em Portugal...

11 junho 2022
Torna-se arriscado parir em Portugal...
A recorrente carência de médicos para formar equipas de urgência de obstetrícia que cumpram os critérios mínimos de segurança e qualidade no atendimento de grávidas e parturientes tem vindo a ser denunciada desde há muito pelo SIM.

Muitos dos serviços estão a funcionar abaixo dos mínimos desejáveis e em situação de risco acrescido profissional e de erro médico, dada a ultrapassagem dos limites individuais diários, semanais e mensais do trabalho suplementar prestado. Os casos de burnout profissional acumulam-se e a possibilidade de manifestação súbita de doença é cada vez mais uma possibilidade e realidade.

Ainda há dois dias alertávamos para que a situação das urgências obstétricas neste fim-de-semana seria de catástrofe prevista nas maternidades da Grande Lisboa, estando diversas em contingência e algumas mesmo encerradas.

O SIM gostaria de não ter razão... mas confirma-se que estão afectados os serviços de Setúbal, Barreiro e Almada. E igualmente se confirma a situação na segunda-feira, feriado de Santo António em Lisboa, em que se juntam a estes três hospitais o de São Francisco Xavier e o Amadora-Sintra. A que se acrescenta agora o Hospital Beatriz Ângelo em Loures...

O SIM gostaria de não ter a confirmação das suas denúncias e alertas como o teve de fazer ontem a ARS LVT, candidamente reconhecendo em comunicado que "apesar dos esforços desenvolvidos não foi possível ultrapassar os constrangimentos e que será garantida pela rede do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na região, com desvios na resposta ao serviço de urgência externa”.

E ainda nem sequer teve início o período de férias, em que este tipo de situação se agrava e se repete, ano após ano... É que, face às difíceis condições de trabalho, até os médicos prestadores de serviço/tarefeiros (que são pagos por quantias 5 ou 6 vezes superiores às dos seus colegas que dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, asseguram o atendimento de urgência - e não só - os 365 dias do ano) começam a recusar chorudas ofertas...

Mas não é só no Alentejo, no Algarve, na capital do Império… temos ainda hoje o anúncio relativo ao Hospital de Braga, obrigado a encerrar no Domingo a sua urgência de Obstetrícia...

Duas palavras finais:

1º Infelizmente e como corolário do que tem vindo a ser anunciado, a temida tragédia ocorreu nas Caldas da Rainha... Será que o anunciado inquérito da IGAS se atreverá a apontar o dedo à tutela pela falta de resposta à carência de médicos especialistas de Ginecologia/Obstetrícia para integrar as equipas de urgência?

2º A Srª Ministra Marta Temido sabe que nada se resolverá se não conseguir captar e fixar médicos no SNS através do justo reconhecimento salarial da especificidade, risco e penosidade do seu trabalho. E tal é, como se vê, inultrapassável. Reconhecida a necessidade de ser aberto e desenvolvido um procedimento negocial rápido e consequente com os sindicatos médicos, quase um mês depois do primeiro encontro estes continuam a aguardar por propostas concretas do Ministério da Saúde, e por uma agenda e calendário negociais.

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